Inglaterra
Northfield, Tavistock e o grupo como entidade
Texto
O que esta escola formulou
A Segunda Guerra é o laboratório involuntário da escola inglesa. Nos hospitais militares de Northfield, Bion e Foulkes precisam tratar centenas de soldados com poucos analistas — e transformam a restrição em invenção teórica. Bion descreve o grupo em dois registros simultâneos: o grupo de trabalho, voltado à tarefa, e o grupo de supostos básicos (dependência, luta-e-fuga, acasalamento), funcionamento emocional inconsciente que a sabota.
Foulkes, que conhecera a obra de Burrow em 1932, sustenta que o grupo analisa o grupo: o condutor participa da matrix de comunicação, e o sintoma individual é traduzido em linguagem partilhada. Funda em 1971 o Institute of Group Analysis.
No Tavistock Institute, o foco se amplia da clínica para as organizações: Trist formula o sistema sociotécnico, Jaques mostra que as estruturas institucionais funcionam como defesa coletiva contra a ansiedade, Balint cria os grupos de formação com médicos, e Bowlby estabelece que o vínculo é necessidade primária. A escola inglesa é, portanto, onde o grupo deixa de ser recurso e passa a ser objeto teórico com leis próprias.
Vocabulário
Conceitos-chave
- Supostos básicos
- Dependência, luta-e-fuga e acasalamento: funcionamentos emocionais inconscientes do grupo (Bion).
- Mentalidade grupal
- Produção coletiva anônima à qual cada membro contribui sem saber (Bion).
- Matrix grupal
- Rede de comunicação em que cada sintoma é um nó (Foulkes).
- Sistema sociotécnico
- Interdependência entre organização técnica e organização social do trabalho (Trist).
- Defesa institucional
- Estruturas sociais como proteção coletiva contra a ansiedade (Jaques).
Autores
Quem escreveu (6)
Wilfred Ruprecht Bion
1897 — 1979
Supostos básicos e mentalidade grupal
S. H. Foulkes
1898 — 1976
Group analysis e o conceito de matrix
Michael Balint
1896 — 1970
Grupos Balint e a relação médico-paciente
Eric Trist
1909 — 1993
Sistema sociotécnico e Tavistock Institute
Elliott Jaques
1917 — 2003
A instituição como defesa contra a ansiedade
John Bowlby
1907 — 1990
Teoria do apego e vínculo primário
Referências
Bibliografia da escola
- BION, W. R. Experiências com grupos. Rio de Janeiro: Imago, 1975 [1961].
- FOULKES, S. H. Introduction to Group-Analytic Psychotherapy. London: Heinemann, 1948.
- FOULKES, S. H.; ANTHONY, E. J. Group Psychotherapy: the psychoanalytic approach. London: Penguin, 1957.
- BALINT, M. O médico, seu paciente e a doença. Rio de Janeiro: Atheneu, 2005 [1957].
- JAQUES, E. Social systems as a defence against persecutory and depressive anxiety. In: KLEIN, M. et al. New Directions in Psychoanalysis. London: Tavistock, 1955.
- TRIST, E.; MURRAY, H. (orgs.). The Social Engagement of Social Science. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1990.
- BOWLBY, J. Apego: a natureza do vínculo. São Paulo: Martins Fontes, 2002 [1969].