Escola UK · 1940 — 1960

Inglaterra

Northfield, Tavistock e o grupo como entidade

Texto

O que esta escola formulou

A Segunda Guerra é o laboratório involuntário da escola inglesa. Nos hospitais militares de Northfield, Bion e Foulkes precisam tratar centenas de soldados com poucos analistas — e transformam a restrição em invenção teórica. Bion descreve o grupo em dois registros simultâneos: o grupo de trabalho, voltado à tarefa, e o grupo de supostos básicos (dependência, luta-e-fuga, acasalamento), funcionamento emocional inconsciente que a sabota.

Foulkes, que conhecera a obra de Burrow em 1932, sustenta que o grupo analisa o grupo: o condutor participa da matrix de comunicação, e o sintoma individual é traduzido em linguagem partilhada. Funda em 1971 o Institute of Group Analysis.

No Tavistock Institute, o foco se amplia da clínica para as organizações: Trist formula o sistema sociotécnico, Jaques mostra que as estruturas institucionais funcionam como defesa coletiva contra a ansiedade, Balint cria os grupos de formação com médicos, e Bowlby estabelece que o vínculo é necessidade primária. A escola inglesa é, portanto, onde o grupo deixa de ser recurso e passa a ser objeto teórico com leis próprias.

Vocabulário

Conceitos-chave

Supostos básicos
Dependência, luta-e-fuga e acasalamento: funcionamentos emocionais inconscientes do grupo (Bion).
Mentalidade grupal
Produção coletiva anônima à qual cada membro contribui sem saber (Bion).
Matrix grupal
Rede de comunicação em que cada sintoma é um nó (Foulkes).
Sistema sociotécnico
Interdependência entre organização técnica e organização social do trabalho (Trist).
Defesa institucional
Estruturas sociais como proteção coletiva contra a ansiedade (Jaques).

Referências

Bibliografia da escola

  • BION, W. R. Experiências com grupos. Rio de Janeiro: Imago, 1975 [1961].
  • FOULKES, S. H. Introduction to Group-Analytic Psychotherapy. London: Heinemann, 1948.
  • FOULKES, S. H.; ANTHONY, E. J. Group Psychotherapy: the psychoanalytic approach. London: Penguin, 1957.
  • BALINT, M. O médico, seu paciente e a doença. Rio de Janeiro: Atheneu, 2005 [1957].
  • JAQUES, E. Social systems as a defence against persecutory and depressive anxiety. In: KLEIN, M. et al. New Directions in Psychoanalysis. London: Tavistock, 1955.
  • TRIST, E.; MURRAY, H. (orgs.). The Social Engagement of Social Science. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1990.
  • BOWLBY, J. Apego: a natureza do vínculo. São Paulo: Martins Fontes, 2002 [1969].